quinta-feira, 31 de janeiro de 2019

3 Coisas que Você Precisa Saber sobre Sobrecarga Cognitiva em Crianças

Como Educar Seus Filhos

TEMPO DE LEITURA: 3 MINUTOS

Confira as respostas do professor Carlos Nadalim às perguntas que alunos do curso Ensine Seus Filhos a Ler lhe fizeram sobre sobrecarga cognitiva.

1. O que é sobrecarga cognitiva? Como posso saber se a professora da escola, ou eu mesmo, estou cometendo esse erro com meu filho?

PROF. CARLOS: A sobrecarga cognitiva ocorre quando você exige de uma criança o aprendizado de um conteúdo e, no momento mesmo do aprendizado, a criança tem de acionar várias habilidades, às vezes algumas que ela ainda não possui. O prof. Luiz Carlos Faria, na entrevista que concedeu ao blog, narra um caso de sobrecarga cognitiva no processo de alfabetização de sua filha na escola: a professora havia passado um texto em espiral para que os alunos lessem. Ou seja: no momento em que a criança precisava dominar as constrições mecânico-espaciais da escrita e da leitura (da esquerda para a direita, de cima para baixo, uma folha depois da outra), fizeram-na ter de girar a folha para ler o texto.
Uma outra estratégia que gera sobrecarga cognitiva ocorre no ensino de uma língua estrangeira para a criança, quando, ao mesmo tempo, exige-se que ela escute, fale, traduza, leia e escreva. Isso é exigir algo que ela não será capaz de fazer, uma vez que, para ler e escrever, ela precisa antes ouvir e falar a língua com fluência e desenvoltura. Isso porque a escuta está para a leitura como a fala está para a escrita. Se a criança não é capaz de ouvir, compreender e imitar os sons da língua, com certeza não conseguirá ler e escrever.
Para evitar a sobrecarga, você precisa avaliar se o método tem uma progressão, se parte do mais simples e vai em direção ao mais complexo; assim seu filho não irá sofrer com a sobrecarga cognitiva, que pode simplesmente travá-lo.

2. Por que é errado pedir que uma criança que está sendo alfabetizada interprete o texto que leu? Afinal, ela não tem de compreender o que lê?

PROF. CARLOS: Uma coisa é compreensão do texto; outra coisa é interpretação. Quando você lê um texto, o seu objetivo é compreendê-lo, extrair o significado deleDiferente disso é interpretar, o que exige a emissão de um juízo a respeito daquilo que foi compreendido. Muitas vezes, na escola, a criança ainda não lê com fluência (e, conseqüentemente, não compreende bem os textos), mas, mesmo assim, é convidada a interpretar o que leu. Isso obviamente não funcionará!
Por isso, para evitar a sobrecarga cognitiva, precisamos analisar as progressões e seqüências mais adequadas.
Eu sempre digo que as crianças precisam, antes de tudo, dominar o princípio alfabético, ou princípio de correspondência entre fonemas e grafemas, isto é, ela precisa saber que os fonemas são representados graficamente por letras ou grupos de letras. Afinal, esse é o coração do nosso sistema de escrita, e levará as crianças a decodificarem as primeiras palavras.
Por outro lado, elas lerão textos e queremos que elas os compreendam – e, futuramente, que emitam seus juízos sobre eles. Por isso, é preciso também investir em compreensão oral de textos: a compreensão oral servirá de base para a compreensão textual.

3. Como posso saber que uma criança sofreu sobrecarga cognitiva?

PROF. CARLOS: Uma criança que sofreu a sobrecarga acaba ficando paralisada. Conversei certa vez com uma funcionária de uma Secretaria de Educação que relatou ter ido a uma escola e visto uma criança chorando porque não sabia ler. Essa é a questão: uma criança não sabe ler e a professora dá uma prova para que ela resolva sozinha. Este é o resultado: a criança se frustra porque se acha incapaz.

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Alfabetizar Seu Filho é Tarefa para Você?

TEMPO DE LEITURA: 5 MINUTOS

Se a escola não cumpre seu papel, os pais devem assumir a alfabetização formal dos filhos?
Neste vídeo vou falar sobre orientação informal, educação formal e sobre a sua responsabilidade na alfabetização formal de seus filhos. Em casa as crianças têm contato com os professores mais marcantes que terão durante toda a vida: os próprios pais.
Na preparação para a alfabetização os pais cumprem um papel decisivo. Por quê? Porque a maioria deles é capaz sim de orientar informalmente seus filhos no desenvolvimento lingüístico. Essa preparação é extremamente importante já que linguagem e alfabetização caminham juntas. O que a criança aprende ouvindo e falando contribui para sua capacidade de escrita e vice-versa.
A orientação dos pais pode ser não-estruturada ou estruturada. Quando a orientação não é estruturada, os pais, de maneira muito natural, expõem seus filhos à linguagem oral e à linguagem escrita sem planejamentos detalhados. Porém, quando a orientação é estruturada, a estimulação lingüística é preparada pelos pais. Em ambos os casos, as crianças são colocadas em contato com a linguagem e incentivadas a absorvê-la, com respostas meramente naturais. É claro que tudo isso prepara as crianças para a alfabetização.
Se de um lado temos orientação informal estruturada e não-estruturada, de outro lado temos a educação formal em que os pais, além de planejar as atividades que serão ensinadas, esperam uma cooperação explícita e respostas precisas de seus filhos.
Por que eu falei tanto sobre orientação informal e educação formal? Porque muitas pessoas acreditam que a alfabetização formal de crianças compete única e exclusivamente às escolas. Num país ideal, em que as instituições de ensino funcionassem perfeitamente, essa crença seria aceitável. Porém essa não é a nossa realidade. No Brasil, infelizmente, a maioria das escolas adota os piores métodos de alfabetização. Não é à toa que ocupamos os últimos lugares nos testes internacionais de leitura.
Então veja: embora sejam submetidas à alfabetização formal, muitas crianças saem das escolas sem saber ler e escrever corretamente.
Com muita freqüência aqui no blog recebo mensagens de profissionais da educação que confirmam tudo o que acabei de dizer. Veja, por exemplo, esta mensagem de um dos meus alunos do curso Ensine Seus Filhos a Ler – Pré-Alfabetização:
“Boa tarde, professor. Fiz o seu curso no ano passado e o implementei no colégio na metade do ano. Agora, em fevereiro, os alunos de submeteram a um teste de nível de alfabetização com um professor doutor em psicologia e o resultado foi que nossos alunos do 1º ano estão lendo melhor que nossos alunos do 3º ano, que foram alfabetizados pelo método silábico. Quero agradecer a toda a equipe e em especial ao prof. Carlos Nadalim.”
Sabendo de tudo isso você ainda quer confiar a alfabetização formal de seus filhos às escolas? Ou você acredita que além da alfabetização informal você também pode conduzir a alfabetização formal deles em casa? Caso você não encontre uma escola que adote um método eficaz de alfabetização para seus filhos, você terá de prepará-los para a alfabetização e alfabetizá-los  em casa.
[Trecho de entrevista com o psicolingüista José Morais:]
PROF. CARLOS: Professor, em um outro momento do livro – já que o nosso trabalho é destinado a pais, embora alguns professores também nos acompanhem –, o senhor diz que a alfabetização é uma missão dos professores, mas destaca: “E por que não também dos pais, desde que devidamente informados e instruídos?”. Gostaria que você falasse um pouco sobre esse trecho do livro, pois há pais que pensam: “Se não sou formado em Pedagogia, como vou alfabetizar meus filhos se as escolas não estão cumprindo com seu papel?”.
PROF. JOSÉ MORAIS: Não precisa de curso de Pedagogia. A primeira coisa necessária é ter vontade que o seu filho se desenvolva. A idéia de que o pai tem apenas os deveres de alimentar, conversar, dar amor e que depois vem a escola, assumindo as demais funções, não tem muito sentido. Na realidade, são coisas que se sobrepõem. Do mesmo modo que os pais devem se preocupar com a alfabetização, também os professores devem se preocupar com a forma como a criança vive com sua família, suas relações, se ela é suficientemente apoiada nos aspectos de desenvolvimento cognitivo, etc. Não pode haver essa divisão total, como se fossem coisas completamente distintas  e que, a certa altura, quando a criança entra na escola, o mundo da escola não tem a ver com o mundo da família e vice-versa.
“Mas prof. Carlos, eu não me sinto preparado para alfabetizar meus filhos em casa. Eu não sei quais são os piores métodos de alfabetização e muito menos qual o melhor método de alfabetização. Enfim, eu preciso de mais informações a respeito desse assunto”. Se você deseja mais informações sobre este assunto, participe  da 8ª Jornada da Alfabetização em Casa, um evento online e totalmente gratuito, no qual transmitirei a você dicas simples, práticas e divertidas para que você introduza seus filhos de maneira segura no universo da alfabetização. Para participar basta cadastrar o seu e-mail.
Então é isso, fique com Deus e até a próxima!

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Por que as histórias são fundamentais na educação de crianças e jovens?

TEMPO DE LEITURA: 9 MINUTOS
Esta não é a única maneira de ensinar, e talvez não seja sequer a mais perfeita – mas é uma forma de preparar o terreno, é importante e é natural. Não por acaso, Jesus ensinou por meio de parábolas; também não é por acaso que o Antigo Testamento seja constituído, em grande parte, de histórias – verdadeiras, mas ainda assim histórias – sobre nossos precursores na fé. Os homens aprendem por meio de histórias, especialmente os mais moços, e assim se preparam para o aprendizado dos princípios. Uma grande vantagem das histórias é que o leitor pode obter o conhecimento sem experimentar as dolorosas e destrutivas conseqüências que não raro acompanham a experiência vivida.
Tenho certeza de que muitos já leram a obra Razão e Sensibilidade, de Jane Austen. Muitas e muitas vezes desejei que toda moça – e, na verdade, todo jovem – lesse esse livro. As personagens Marianne e Eleanor têm de lidar com a traição por parte daquele a quem amam. Marianne o faz de modo emocional e auto-centrado, e quase se destrói no meio do caminho. Eleanor, por outro lado, luta contra o egocentrismo, aprende a submeter suas paixões à razão e tem uma perspectiva caridosa para com as pessoas com quem lida. É uma mulher muito mais feliz, e todos ao seu redor também são mais felizes. O livro nos faz ver que Eleanor está com a razão, e também desejar que Marianne aprenda com ela (o que por fim acontece). Jane Austen realiza admiravelmente o que Santo Tomás afirma ser a missão do poeta: “dirigir-nos para a virtude por meio de uma representação adequada”.

Aprendendo com as histórias a fazer a coisa certa

Em um artigo recente, intitulado American civilization has lost its way [“A civilização americana se perdeu no meio do caminho”], Michael Novak afirma:
“Normalmente a moral nos aparece por meio da linguagem dos códigos morais e dos mandamentos. Faça isto, não faça aquilo. Entretanto, é muito mais instrutivo abordar a ética e a moral por meio de histórias e narrativas. A razão pela qual a narrativa funciona melhor do que um código ou um conjunto de mandamentos é que aquela se faz pelo entrelaçamento vivo da imaginação, do modo, do estilo, e mesmo do tom. Por exemplo, reza o mandamento: ‘Honrar pai e mãe’. Mas o mandamento não nos diz nada sobre a maneira pela qual devemos fazê-lo, com que tom de voz, com que grau de delicadeza e/ou assertividade, ou se devemos fazê-lo com devotamento renovado ou por simples rotina.
Às vezes, fazer a coisa certa de um modo errado é frustrar o objetivo. Talvez seja por isso que Jesus preferiu, tantas vezes, falar por meio de histórias, mais do que pela enunciação pura e simples de mandamentos. Ele queria transmitir o modo e o estilo das ações, e não apenas o seu conteúdo. Ser gentil, bondoso, disposto a perdoar, a conter o desejo de esmagar o caniço rachado – tudo isso era essencial para sua mensagem. Agir como cristão não é apenas cumprir certos deveres abstratos ao pé da letra, mas também viver segundo o espírito e o caráter da lei. De certa forma, é mais correto falar de uma imitação de Cristo, mais do que de uma mera obediência a Cristo. Somos todos peritos naquele truque das crianças de cumprir a ordem dos pais ponto por ponto enquanto zombamos da tarefa.”
Por meio das histórias, assim, o leitor encarna as ações dos personagens sobre os quais está lendo, principalmente as do protagonista, tal como praticadas por um indivíduo, e não como uma proposição universal. Sabemos que nossas emoções devem ser ordenadas pela razão, mas, ao acompanhar o exemplo concreto de Eleanor lidando com suas dificuldades, vemos como isso se dá, e mesmo sentimos como isso se dá. O leitor tem o privilégio de participar da vida de mais de um personagem, e de ver e sentir o que acontece quando permitimos que as emoções governem a razão, como faz Marianne.
É por isso que as histórias muitas vezes movem o coração na direção do bem de uma maneira que o ensino direto da verdade – principalmente no início, e principalmente nos jovens – não é capaz de fazer. Quando encontramos essas verdades de modo concreto, encarnado, capaz de conquistar tanto a mente quanto o coração, a tendência a rejeitar o ensinamento será menor. O leitor é um companheiro de viagem e aprende com os personagens; ele está aprendendo as lições que a vida ensina, e as está aprendendo sem que haja um confronto direto. Existe, em muitas pessoas, uma resistência a simplesmente receber ordens. Mesmo quando a pessoa obedece, o ato de obediência não chega a ser um ato da pessoa inteira, como ressaltou o Dr. Novak. Quando converso com as mães a quem aconselho, sempre reitero que “a obediência não é um bem, a menos que venha do coração”. As histórias cativam o coração das crianças.
O Dr. Andrew Seelev, em um recente artigo publicado em seu website, explicou que a leitura de O Senhor dos Anéis, quando ele era jovem, “conquistou seu coração e despertou sua imaginação”. Essa leitura inspirou-lhe “um anseio por grandes feitos para além da vida cotidiana confortável, estável e segura”. Ele explica: “Aquele anseio por um ideal imaginado preparou-me para abraçar o catolicismo como o tipo mais alto e mais verdadeiro de narrativa.” Vivenciar a história contada por Tolkien, da maneira como se vivencia uma história, não apenas conquistou como também moldou seu coração, mostrando-lhe um universo moral que ele não havia encontrado na cultura secular em que vivia, e movendo-o na direção desse universo.

Aprendendo com a experiência alheia

Por que isso acontece? O que é que as histórias têm, que lhes permite operar esse efeito em nossos jovens? E como tirar o melhor proveito dessa qualidade? O primeiro benefício que obtemos ao ler bem uma história é aumentar nossa experiência. No livro Um Experimento na Crítica Literária, C. S. Lewis afirma o seguinte:
“Cada um de nós tem, como impulso primário, o desejo de nos preservar e nos engrandecer. Como impulso secundário, temos o desejo de sair de nós mesmos, corrigir nosso provincialismo e aplacar nossa solidão. Fazemos isso por meio do amor, da virtude, da busca pelo conhecimento e da recepção das artes. Evidentemente, esse processo pode ser descrito tanto como um engrandecimento ou como uma aniquilação temporária do nosso ser. Mas este é um antigo paradoxo: “aquele que perder a sua vida, achá-la-á”.
Lewis prossegue:
“… tornamo-nos esses outros eus. Não apenas, ou não principalmente, a fim de vermos como são, mas a fim de vermos o que vêem; a fim de ocupar, por um momento, seu assento no grande teatro, ver por meio de suas lentes e libertarmo-nos das percepções, alegrias, terrores, maravilhas ou regozijos que aquelas lentes possam revelar… Isto, até onde posso compreender, é o valor ou benefício específico da literatura considerada como logos: admitir-nos a uma experiência para além da nossa própria.”
Esse é um imenso benefício proporcionado pela leitura de histórias. Mas, assim como nem toda experiência vale a pena ser vivida, nem todo livro vale a pena ser lido. Ainda segundo as palavras de C. S. Lewis: “Aqueles dentre nós que crescemos lendo livros raramente nos damos conta da enorme parte do nosso ser que devemos aos autores. Torna-se mais fácil percebê-lo quando conversamos com um amigo que não tem o hábito de ler. Ele pode ter um bom coração e muito bom senso, mas habita um mundo estreito… Meus olhos não são o bastante para mim; preciso dos olhos de outrem…”
A essa altura do texto, C. S. Lewis faz outra afirmação sobre a qual vale a pena refletir. Ele diz: “A experiência literária cura as feridas sem suplantar o privilégio da individualidade.” Não é interessante? Perguntamo-nos imediatamente: “O que ele quer dizer?” A ferida à qual ele se refere, penso eu, é a solidão (como ele disse antes). O indivíduo está sozinho e é incompleto; ele precisa do outro para completar o seu ser. Prossegue o autor: “Existem as emoções de massa que curam a ferida”, isto é, nos dão as experiências de outros seres, “mas destroem o privilégio. Nelas, nossos eus separados são lançados numa vala comum, e regredimos a uma subindividualidade” (algo não muito diferente da idéia defendida pelos aristotélicos árabes de que, extinta a vida mortal, todos os homens seriam plasmados em uma grande consciência). “Porém”, afirma Lewis, “lendo a grande literatura, torno-me uma centena de homens, sem deixar de ser eu mesmo. Como o céu noturno no poema grego, vejo por uma miríade de olhos, mas ainda sou eu quem vê. Aqui, como na adoração, no amor, na ação moral e no conhecimento, transcendo a mim mesmo, e deste modo sou mais eu mesmo como jamais o fui.”
Na leitura de uma boa história, vejo como outros vêem, compreendo o que não compreenderia por minha própria conta, e o faço ampliando – e não sufocando – meu entendimento individual. As histórias obtêm esse efeito porque ensinam, não didaticamente, mas nem por isso de maneira menos fiel, e por meio da história minha mente e minha vontade são guiados em direção à verdade.
Trecho de conferência de Laura Berquist para o Institute for Catholic Liberal Education, de julho de 2006, sob o título “Reading literature to reveal reality”. Traduzido para o blog Como Educar Seus Filhos. Original aqui.

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Vinte fatos que comprovam que a posse de armas deixa uma população mais segura


Os recentes acontecimentos em Ottawa, Canadá, comprovam, pela enésima vez, que controle de armas serve apenas para deixar uma população pacífica ainda mais vulnerável.
O desarmamento não apenas deixa uma população menos livre, como também a deixa menos segura.  E não existe liberdade individual se o indivíduo está proibido de se proteger contra eventuais ataques físicos.  Liberdade e autodefesa são conceitos totalmente indivisíveis.  Sem o segundo não há o primeiro.
Respeitar o direito de cada indivíduo poder ter armas de fogo ainda é a melhor política de segurança, como os fatos listados abaixo mostrarão.  Já restringir, ou até mesmo proibir, o direito de um indivíduo ter uma arma de fogo o deixa sem nenhuma defesa efetiva contra criminosos violentos ou contra um governo tirânico.
A Universidade de Harvard, que não tem nada de conservadora, divulgou recentemente um estudoque comprova que, quanto mais armas os indivíduos de uma nação têm, menor é a criminalidade.  Em outras palavras, há uma robusta correlação positiva entre mais armas e menos crimes.  Isso é exatamente o oposto do que a mídia quer nos fazer acreditar. 
Mas o fato é que tal correlação faz sentido, e o motivo é bem intuitivo: nenhum criminoso gostaria de levar um tiro. 
Se o governo de um país aprova um estatuto do desarmamento, o que ele realmente está fazendo é diminuindo o medo de criminosos levarem um tiro de cidadãos honestos e trabalhadores, e aumentando a confiança desses criminosos em saber que suas eventuais vítimas — que obedecem a lei — estão desarmadas.
A seguir, 20 fatos pouco conhecidos que comprovam que, ao redor do mundo, mais armas deixam uma população mais segura.
#1 Um estudo publicado pela Universidade de Harvard — Harvard Journal of Law & Public Policy — relata que países que têm mais armas tendem a ter menos crimes
#2 Ao longo dos últimos 20 anos, as vendas de armas dispararam nos EUA, mas os homicídios relacionados a armas de fogo caíram 39 por cento durante esse mesmo período.  Mais ainda: "outros crimes relacionados a armas de fogo" despencaram 69%.
#3 Ainda segundo o estudo da Harvard, os nove países europeus que apresentam a menor taxa de posse de armas apresentam taxas de homicídios que, em conjunto, são três vezes maiores do que as dos outro nove países europeus que apresentam a maior taxa de posse de armas.
#4 Quase todas as chacinas cometidas por indivíduos desajustados nos Estados Unidos desde 1950 ocorreram em estados que possuem rígidas leis de controle de armas.
Com uma única exceção, todos os assassinatos em massa cometidos nos EUA desde 1950 ocorreram em locais em que os cidadãos são proibidos de portarem armas.  Já a Europa, não obstante sua rígida política de controle de armas, apresentou três dos seis piores episódios de chacinas em escolas.
#5 Os EUA são o país número 1 do mundo em termos de posse de armas per capita, mas estão apenas na 28ª posição mundial em termos de homicídios cometidos por armas de fogo para cada 100.000 pessoas.
#6 A taxa de crimes violentos nos EUA era de 757,7 por 100.000 pessoas em 1992.  Já em 2011, ela despencou para 386,3 por 100.000 pessoas.  Durante esse mesmo período, a taxa de homicídios caiu de 9,3 por 100.000 para 4,7 por 100.000.  E, também durante esse período, como já dito acima, as vendas de armas dispararam.
#7 A cada ano, aproximadamente 200.000 mulheres nos EUA utilizam armas de fogo para se proteger de crimes sexuais.
#8 Em termos gerais, as armas de fogo são utilizadas com uma frequência 80 vezes maior para impedir crimes do que para tirar vidas.
#9 O número de fatalidades involuntárias causadas por armas de fogo caiu 58% entre 1991 e 2011.
#10 Apesar da extremamente rígida lei desarmamentista em vigor no Reino Unido, sua taxa de crimes violentos é aproximadamente 4 vezes superior à dos EUA.  Em 2009, houve 2.034 crimes violentospara cada 100.000 habitantes do Reino Unido.  Naquele mesmo ano, houve apenas 466 crimes violentos para cada 100.000 habitantes nos EUA.
#11 O Reino Unido apresenta aproximadamente 125% mais vítimas de estupro por 100.000 pessoas a cada ano do que os EUA.
#12 Anualmente, o Reino Unido tem 133% mais vítimas de assaltos e de outras agressões físicas por 100.000 habitantes do que os EUA.
#13 O Reino Unido apresenta a quarta maior taxa de arrombamentos e invasões de residências de toda a União Europeia.
#14 O Reino Unido apresenta a segunda maior taxa de criminalidade de toda a União Europeia.
#15 Na Austrália, os homicídios cometidos por armas de fogo aumentaram 19% e os assaltos a mão armada aumentaram 69% após o governo instituir o desarmamento da população.
#16 A cidade de Chicago havia aprovado uma das mais rígidas leis de controle de armas dos EUA.  O que houve com a criminalidade?  A taxa de homicídios foi 17% maior em 2012 em relação a 2011, e Chicago passou a ser considerada a "mais mortífera dentre as cidades globais".  Inacreditavelmente, no ano de 2012, a quantidade de homicídios em Chicago foi aproximadamente igual à quantidade de homicídios ocorrida em todo o Japão.
#17 Após essa catástrofe, a cidade de Chicago recuou e, no início de 2014, voltou a permitir que seus cidadãos andassem armados.  Eis as consequências:  o número de roubos caiu 20%; o número de arrombamentos caiu também 20%; o de furto de veículos caiu 26%; e, já no primeiro semestre, a taxa de homicídios da cidade recuou para o menor nível dos últimos 56 anos.
#18 Após a cidade de Kennesaw, no estado americano da Geórgia, ter aprovado uma lei que obrigava cada casa a ter uma arma, a taxa de criminalidade caiu mais de 50% ao longo dos 23 anos seguintes.  A taxa de arrombamentos e invasões de domicílios despencou incríveis 89%.
#19 Os governos ao redor do mundo chacinaram mais de 170 milhões de seus próprios cidadãos durante o século XX (Stalin, Hitler, Mao Tsé-Tung, Pol Pot etc.).  A esmagadora maioria desses cidadãos havia sido desarmada por esses mesmos governos antes de serem assassinados.
#20 No Brasil, 10 anos após a aprovação do estatuto do desarmamento — considerado um dos mais rígidos do mundo —, o comércio legal de armas de fogo caiu 90%.  Mas as mortes por armas de fogo aumentaram 346% ao longo dos últimos 30 anos.  Com quase 60 mil homicídios por ano, o Brasil já é, em números absolutos, o país em que mais se mata.
Quantas dessas notícias você já viu na mídia convencional, que dá voz apenas a desarmamentistas?
Armas são objetos inanimados, tão inanimados quanto facas, tesouras e pedras.  Costumes, tradições, valores morais e regras de etiqueta — e não leis e regulações estatais — são o que fazem uma sociedade ser civilizada.  Restrições sobre a posse de objetos inanimados não irão gerar civilização.
Essas normas comportamentais — as quais são transmitidas pelo exemplo familiar, por palavras e também por ensinamentos religiosos — representam todo um conjunto de sabedoria refinado por anos de experiência, por processos de tentativa e erro, e pela busca daquilo que funciona.  O benefício de se ter costumes, tradições e valores morais regulando o comportamento — em vez de atribuir essa função ao governo — é que as pessoas passam a se comportar eticamente mesmo quando não há ninguém vigiando.  Em outras palavras, é a moralidade a primeira linha de defesa de uma sociedade contra comportamentos bárbaros.
No entanto, em vez de se concentrar naquilo que funciona, os progressistas desarmamentistas querem substituir moral e ética por palavras bonitas e por leis de fácil apelo. 
Por último, vale um raciocínio lógico: quem é a favor do desarmamento não é contra armas, pois as armas serão necessárias para se desarmar os cidadãos.  Logo, um desarmamentista nunca será contra armas — afinal, ele quer que a polícia utilize armas para confiscar as armas dos cidadãos. 
Consequentemente, um desarmamentista é necessariamente a favor de armas.  Mas ele quer que apenas o governo (que, obviamente, é composto por pessoas honestas, confiáveis, morais e virtuosas) tenha armas. 
Conclusão: nunca existiu e nem nunca existirá um genuíno 'desarmamento'.  Existe apenas armamento centralizado nas mãos de uma pequena elite política e dos burocratas fardados que protegem os interesses dessa elite.
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Participaram desse artigo:
Walter Williams, professor honorário de economia da George Mason University e autor de sete livros.  Suas colunas semanais são publicadas em mais de 140 jornais americanos.
Ron Paul, médico e ex-congressista republicano do Texas. Foi candidato a presidente dos Estados Unidos em 1988 pelo Partido Libertário e candidato à nomeação para as eleições presidenciais de 2008 e 2012 pelo partido republicano.
É autor de diversos livros sobre a Escola Austríaca de economia e a filosofia política libertária como Mises e a Escola Austríaca: uma visão pessoalDefinindo a liberdadeO Fim do Fed – por que acabar com o Banco Central (2009), The Case for Gold (1982), The Revolution: A Manifesto (2008), Pillars of Prosperity (2008) e A Foreign Policy of Freedom (2007).
O doutor Paul foi um dos fundadores do Ludwig von Mises Institute, em 1982, e no ano de 2013 fundou o Ron Paul Institute for Peace and Prosperity e o The Ron Paul Channel.
Stefan Molyneux, ex-empresário do ramo de software, hoje se dedica inteiramente à filosofia. Já escreveu sete livros, todos disponíveis em seu website.
Michael Snyder, colunista do blog Economic Collapse

fonte:
https://www.mises.org.br/Article.aspx?id=1974

segunda-feira, 21 de janeiro de 2019

3 Contos de Fadas que Nos Ensinam a Distinguir entre o que é Essencial e o que não é


TEMPO DE LEITURA: 9 MINUTOS
O que os contos da tradição popular e os contos de fadas podem nos ensinar sobre a importante escolha entre os bens primários e os secundários, entre as coisas essenciais e as não essenciais?
Bom senso é a habilidade de distinguir entre as coisas primárias e as secundárias, entre as obrigações mais urgentes e todas as outras.
Por exemplo, ser um bom pai ou uma esposa dedicada é mais importante do que ganhar mais dinheiro ou se dedicar a uma carreira com sacrifício da família.
É um sinal de sabedoria a inteligência para separar o que é e o que não é essencial – o que se evidencia quando consideramos o preço que pagamos pelas coisas.

7 exemplos de insensatez

* Não são mais do que gastos insensatos adquirir bens de valor exorbitante e fazer dívidas que ultrapassam os próprios rendimentos ou economias.
* Valorizar o trabalho acima da saúde e sacrificar o bem-estar mental, emocional e físico por um salário maior é pagar caro demais.
* Encontrar tempo para participar de associações, organizações e trabalho voluntário e não dedicar tempo aos filhos, a conversar e apreciar a companhia do cônjuge, também é um exemplo de insensatez, de incapacidade de distinguir entre o que é verdadeiramente importante e aquilo que tem menos valor.
* Gastar todo o tempo de lazer vendo TV e assistindo a canais esportivos, sem nunca se dedicar a ler um livro, a fazer uma leitura espiritual ou uma oração, também é um exemplo de mau investimento.
* Ser demasiado auto-suficiente e auto-confiante e negligenciar o dever de cultivar amizades, celebrar as ocasiões festivas e renovar os laços familiares é também ignorar uma necessidade humana essencial: o enriquecimento dos relacionamentos interpessoais.
* Cuidar da saúde, tomar vitaminas e alimentar-se bem, mas negligenciar a importância da atividade física, é sinal de insensatez.
* Votar em um candidato apenas por lealdade partidária e visando a vantagens econômicas, mais do que por ideais morais e pelo comprometimento com a dignidade de todo ser humano, desde a concepção até a morte, é colocar o interesse próprio acima do bem comum.
* Economizar, investir, obter lucros e viver apenas para multiplicar a fortuna, sem se preocupar com a caridade e com a generosidade, é valorizar os bens materiais acima dos bens espirituais e viver mais para o corpo do que para a alma.
Muitos contos da tradição popular e contos de fadas nos oferecem uma sabedoria proverbial sobre essa importante escolha entre os bens primários e os secundários, entre as coisas essenciais e as não essenciais.
1. As oferendas de um príncipe e de um mascate
No conto “O Guardador de Porcos”, de Hans Christian Andersen, a Princesa tem a oportunidade de escolher entre os magníficos presentes de um príncipe e as mercadorias ordinárias de um mascate. Como símbolo de seu amor, o Príncipe lhe oferece uma rosa raríssima que floria somente uma vez a cada cinco anos, “mas esta única rosa tinha uma fragrância tão doce, que, ao cheirá-la, esqueciam-se todas as preocupações e tristezas da vida”, e um rouxinol “cujo canto era como se todas as mais suaves melodias se reunissem em sua pequenina garganta”.
A Princesa recusa os inestimáveis presentes de seu pretendente e faz pouco caso do amor do príncipe. Quando o Príncipe então retorna, disfarçado de mascate, vendendo uma panela mágica que exalava o cheiro de tudo quanto se cozinhava em todas as casas do reino e uma matraca que tocava as canções populares da moda, a Princesa compra as novidades pelo preço de dez beijos pela panela e de cem beijos pela matraca. Ela compra objetos sem valor ao preço de seu maior tesouro: seus beijos.
Ao recusar a preciosa rosa e o rouxinol, símbolos da pureza do amor do príncipe, e comprar a panela e a matraca de um mascate qualquer, a Princesa prefere, ao que é excelente, algo que é sem valor: o cheiro vulgar da cozinha ao incomparável perfume da rosa; as canções populares da moda à música celestial do rouxinol.
A Princesa prefere o ridículo ao sublime. Ela rebaixa a dignidade e honra de uma princesa e distribui beijos a um estranho em troca de umas bugigangas que lhe proporcionariam um prazer momentâneo, rejeitando os valiosos presentes de um príncipe amoroso, que seriam fontes inesgotáveis de alegria.
A insensata Princesa valorizou mais o vulgar do que o belo, mais o fugaz do que o duradouro, mais o produto extravagante feito pelas mãos do homem do que o bem natural, dádiva dos céus. Cada escolha da Princesa valoriza o que é secundário, em prejuízo do que é fundamental; o não essencial, em prejuízo do que é essencial.
2. Os favores de um peixe
No conto “O Pescador e Sua Mulher”, dos Irmãos Grimm, a esposa de um pescador faz pedidos a um linguado que seu marido salvara das águas. Quando apanhado pelo pescador, o linguado lhe dissera: “Ouça, pescador, suplico que não me mate. Não sou um linguado comum; sou um príncipe encantado!” O pescador atendeu ao pedido e não voltou a pensar em sua boa ação, até que sua esposa reclamou: “E você não lhe pediu nada?”
Como recompensa pela boa ação que praticara, a esposa insiste que o marido peça por uma casa melhor, para que deixem de morar naquela choupana miserável. Depois que o linguado atende ao pedido, a mulher continua a fazer exigências, e cada vez mais extravagantes – uma casa, depois um castelo.
Em seguida, o desejo é tornar-se rei, depois imperador e, finalmente, papa.Sua última ambição é governar o sol e a lua. O linguado, que até então satisfizera todos os seus desejos, não apenas se recusa a atender a este último, como também desfaz tudo que lhe concedera antes: “Então terá de voltar para o seu velho casebre”, ele responde, irado, ao último pedido do pescador. “Ela já está lá.”
A esposa havia rejeitado o essencial e continuava a exigir coisas maiores e mais vistosas – todas desnecessárias –, até que perdeu tudo por causa de sua avareza.
3. Um duende na mercearia
No conto de Andersen “O Duende da Mercearia”, um duende que habita a mercearia espera ansiosamente, todos os anos, pelo prato de mingau que o merceeiro lhe oferece. O duende não cogita abandonar a loja contanto que receba seu prato de mingau no Natal.
Um dia, o duende presencia um estudante pobre comprando queijo e velas do merceeiro, que então embala o queijo em uma folha arrancada a um velho livro de poesia. Ao ler os versos e se encantar com sua beleza, o estudante muda de idéia e decide, em vez de comprar comida para o jantar, usar o dinheiro para adquirir o velho livro de poesia: “Troco pelo queijo – não me faz falta, já que tenho pão e manteiga!”
O duende assiste à negociação, sem poder acreditar que alguém seria tolo o bastante para sacrificar um pedaço de queijo por um velho e inútil livro de poesia.
Comprar um livro e voltar para casa sem um belo jantar não faz nenhum sentido para o duende, que valoriza o alimento do estômago mais do que o alimento da alma.
Mordido pela curiosidade, o duende espia pelo buraco da fechadura do quarto do estudante, onde jaz aberto o livro de poesia:
“Mas como o livro brilhava no sótão! Um feixe de luz partia dele e crescia até assumir as proporções de um tronco – de uma árvore imensa, que erguia os galhos e os estendia sobre o leitor.”
Entretanto, diferentemente do estudante, que abre mão de um pedaço de queijo em troca da poesia – um bem menor por um bem maior –, o duende decide agir com moderação e “sensatez”, acreditando que pode gozar do melhor dos dois mundos: “Vou me dividir entre os dois… Não posso largar o merceeiro, por causa do mingau!”
Por “sensatez”, o duende quer dizer que dedicará porções iguais de tempo ao estudante do segundo andar e ao merceeiro do primeiro andar. Ele ficará com o melhor dos dois mundos, como se fosse possível ter tudo ao mesmo tempo, conciliando o prazer mais baixo proporcionado pelo mingau com a felicidade da alma proporcionada pela grande poesia.
Ele não consegue sacrificar o bem menor pelo bem maior, e se considera prático e sensato porque pode alternar entre o mingau e a poesia – como se tivessem o mesmo valor.
Fechando a história com uma observação – “Todos nós procuramos o merceeiro – por causa do mingau” –, Andersen lança uma luz sobre essa forma sutil de tentação, que exalta o prazer temporário sobre a felicidade eterna, a satisfação do corpo sobre a saúde da alma, a pequenez de um bem insignificante sobre a glória de um vislumbre celestial.
Freqüentemente aqueles que não conseguem distinguir o essencial e o não essencial, as coisas primárias das coisas secundárias, rebaixam sua dignidade e se comportam como um duende que, assim como Esaú, prefere um guisado ao que lhe era direito de nascença.
Tradução de artigo de Michael Kalpakgian publicado originalmente em Seton Magazine.


Notas:

Tradução do conto “O Guardador de Porcos” extraída de “Contos de Andersen”, 7ª ed., Ed. Paz e Terra.

Tradução do conto “O Pescador e Sua Mulher” extraída de “Contos dos Irmãos Grimm”, 1ª ed., Ed. Rocco.

Tradução do conto “O Duende da Mercearia” extraída de “Histórias do Cisne”, 1ª ed., Companhia das Letrinhas.

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